02.06.2025 - Redução da jornada de trabalho custaria 1,2 milhão de empregos já no primeiro ano, alerta José Pastore

(www.fecomercio.com.br)

Presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP ressalta que custo econômico da proposta recairia, principalmente, sobre os que ganham menos

A proposta de reduzir a jornada laboral para quatro dias por semana, sem redução proporcional de salários, pode representar um risco econômico sem precedentes para o Brasil: um choque para a produtividade, um aumento do custo do trabalho e uma possível destruição rápida de empregos formais. “Se for aprovado, só no primeiro ano, 1,2 milhão de empregos formais podem desaparecer, além de uma queda de 6% no Produto Interno Bruto (PIB). É o maior ‘efeito bumerangue’ já projetado para o mercado de trabalho nacional. A maioria dos atingidos? Os que ganham de um a dois salários mínimos com menos escolaridade”, pondera José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O alerta foi dado durante a reunião do órgão de trabalho, na qual Pastore apresentou uma análise sobre os impactos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, de autoria da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) com esse fim.

Na prática, a mudança proposta pela PEC na jornada elevaria o custo laboral em, pelo menos, 37,5%, segundo os cálculos da Federação. O estudo considera uma redução aproximada de 18% na carga horária semanal. A nova regra teria reflexo direto em dois terços dos trabalhadores formais do País: em 2023, 63% dos vínculos empregatícios registrados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) tinham contratos entre 41 e 44 horas semanais. Alguns setores seriam mais afetados do que outros, notadamente o varejo (em que nove em cada dez profissionais, ou 89%, são contratados nessa jornada).

Brasil mais distante do mundo

Na sua análise, o presidente do conselho ressaltou que pequenas reduções na jornada acontecem gradualmente ao longo dos anos em todo o mundo, sempre fruto de negociações que consideram fatores como situações econômica e social, competitividade e produtividade.

Na América Latina, a maioria dos países adota uma jornada legal de 48 horas semanais, embora existam casos com limites menores, como 44, 40 ou até 35 horas. No entanto, prevalecem as cargas horárias mais altas. Isso ocorre porque, com uma jornada legal mais extensa, é possível negociar reduções por meio de acordos. E, caso haja necessidade de aumento temporário das horas trabalhadas, basta retornar ao patamar originalmente previsto em lei.

Pastore enfatizou que, no Brasil de hoje, a jornada média efetiva já é de 38,4 horas semanais, abaixo das 44 horas legais. Além disso, nas jornadas semanais negociadas, observam-se grandes diferenças em comparação com a jornada legal, já que as partes costumam reduzi-la considerando as particularidades de cada ramo, setor e perfil do funcionário.

“A redução no Brasil sempre foi lenta e negociada. Contudo, a PEC quer pular etapas, sem discutir com a sociedade e desconsiderando a diversidade de setores e realidades do País”, pontuou. “A proposta pode reduzir cerca de 480 horas anuais de trabalho abruptamente, enquanto países como Estados Unidos e nações da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] diminuíram de 11 a 55 horas em 15 anos — e sempre por negociação coletiva.”

O risco à produtividade nacional e o caminho pelas negociações

A negociação coletiva para redução da jornada de trabalho, historicamente, é um processo demorado, uma vez que envolve diversas variáveis e precisa refletir as especificidades de cada setor produtivo. O fator mais determinante nessas negociações é a produtividade do trabalho. A lógica que prevalece, segundo Pastore, é clara: sempre que se consegue produzir mais com menos — graças a inovações, tecnologia ou melhor organização —, é possível reduzir a jornada sem comprometer a eficiência e a competitividade das empresas.

No cenário internacional, países que já reduziram as jornadas médias de trabalho apresentam índices de produtividade muito superiores aos do Brasil. Enquanto por aqui o rendimento médio é de US$ 17 por hora, nos países desenvolvidos, o valor é substancialmente maior, favorecendo negociações por jornadas mais curtas.

É preciso levar em conta as características dos setores, dos ramos e dos próprios trabalhadores — fatores que a lei, de maneira geral, não consegue abranger. Somente a negociação permite esses ajustes finos, como considerar a competitividade dos negócios e a dinâmica de oferta e demanda de mão de obra em diferentes momentos da economia.

Ademais, períodos de crise, como a pandemia recente, revelaram a necessidade de flexibilidade no trabalho. E foram justamente as negociações pontuais e os ajustes rápidos nas jornadas que permitiram a sobrevivência de muitos negócios e empregos. "Não há lei que consiga prever ou impor o crescimento necessário da produtividade para compensar uma redução abrupta da jornada. Esses ajustes deveriam ser realizados por meio do diálogo entre empresas e trabalhadores. Redução de jornada precisa ser construída pelo diálogo e pela negociação coletiva, setor a setor. Sem isso, só geraremos mais desemprego, informalidade, inflação e empresas fragilizadas”, complementou o presidente do conselho.

Custo da empregabilidade

Pastore ainda advertiu que, pela PEC, o trabalhador brasileiro teria mais dias de descanso remunerado (204) do que de trabalho (161) ao ano, considerando os 30 dias corridos de férias e 10 de abono, além de cerca de 18 feriados, incluindo os locais e religiosos. Em outros termos, o Brasil estaria remunerando mais o descanso do que o trabalho. Essa seria a única experiência do tipo no mundo.

Com a diminuição repentina da jornada, o custo por hora trabalhada subiria de R$ 10 para R$ 12,22 — um acréscimo mínimo de 22% na folha salarial das empresas, sem considerar outros reflexos trabalhistas. E esse efeito seria apenas o ponto de partida, já que ainda haveria outros aumentos relacionados a escalas e turnos, conforme explicou Pastore. “Ao manterem o mesmo salário para menos horas, os empreendimentos vão lidar com receitas paradas e despesas crescentes. O resultado? Transferir custos para preços — espiral inflacionária — ou demissões em massa.”

O impacto sobre a economia tende a ser severo, ocasionando uma queda de até 6,2% no PIB, mesmo com cenários otimistas para a produtividade — que, nos últimos 43 anos, cresceu, em média, apenas 0,2% ao ano (a.a.) no País.

Pastore também afirmou que, caso a jornada de trabalho seja abruptamente reduzida, empresas de diversos setores — como farmácias, postos de gasolina, supermercados, hospitais, escolas e até o serviço público — teriam de contratar mais funcionários para manter as operações ao longo da semana, o que implicaria um aumento imediato na folha salarial, com a receita permanecendo estável.

“Esse desequilíbrio inviabiliza financeiramente as empresas, porque, mesmo que os custos subam, o consumo não cresce simplesmente graças à redução da jornada. O consumidor não vai comprar mais ou abastecer mais o carro porque trabalha menos horas. A receita vai continuar igual — ou, em situações adversas, pode até cair”, complementou. Por isso, frente às despesas crescendo rapidamente e as receitas permanecendo inalteradas, “a conta não vai fechar. A ideia de que a PEC estimularia a produtividade simplesmente não se confirma.”

O setor público também estaria na mira. Para manter o mesmo nível de serviço, governos teriam de contratar uma legião de novos servidores — o que seria virtualmente impossível, num momento em que o País tenta ajustar as contas públicas. Em outros termos, um contrassenso. “Fala-se em responsabilidade fiscal enquanto se propõe uma bomba-relógio de gastos obrigatórios”, resumiu Pastore.

Desequilíbrio no ambiente de negócios

O presidente executivo da FecomercioSP, Ivo Dall'Acqua Júnior, finalizou a reunião dizendo que, por mais meritórios que sejam os objetivos, não é possível alcançá-los apenas mudando a Constituição. “A diminuição da jornada com aumento de despesas geraria demissões, retração nas contratações, aumento nos preços ao consumidor e queda na produtividade. Na prática, as empresas que não conseguirem repassar o aumento de custos para os preços (o que elevaria a inflação) acabarão por fechar as portas, ampliando o desemprego e agravando problemas sociais. É preocupante isso. Uma mudança drástica, abrupta, geral, horizontal, para o País inteiro, para todos os setores, para todos os ramos”, concluiu. As incertezas jurídicas, o aumento nos preços, a rigidez nas relações entre trabalhadores e empresariado e o impacto profundo sobre a já problemática produtividade brasileira são alguns dos efeitos negativos que o País terá caso a PEC seja aprovada e se torne lei. Clique aqui e acesse o estudo da FecomercioSP com as implicações econômicas mais amplas da proposta.

Fonte: https://www.fecomercio.com.br/noticia/reducao-da-jornada-de-trabalho-custaria-1-2-milhao-de-empregos-ja-no-primeiro-ano-alerta-jose-pastore

03.06.2025 - MTE lança série de boletins com boas práticas em negociação coletiva

(www.gov.br)

Iniciativa semanal destaca cláusulas que promovem equidade, inclusão e sustentabilidade no mundo do trabalho, com base em mais de 90 mil acordos analisados pelo DIEESE

A partir desta segunda-feira (2), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) passará a divulgar, semanalmente, exemplos de boas práticas em negociação coletiva trabalhista, registrados no Sistema Mediador — plataforma que reúne informações sobre acordos e convenções coletivas firmados por entidades sindicais em todo o país.

De acordo com a coordenadora-geral de Relações do Trabalho, Rafaele Rodrigues, os boletins foram elaborados em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), que analisou mais de 75 mil acordos coletivos e 16 mil convenções coletivas, identificando cláusulas voltadas à promoção da equidade, inclusão, sustentabilidade e melhores condições de trabalho.

“Reunimos exemplos concretos de cláusulas pactuadas entre sindicatos laborais, patronais e empresas, que tratam de temas como equidade racial, direito à creche, inclusão de jovens e pessoas LGBTQIAPN+ e enfrentamento das mudanças climáticas”, destaca.

O secretário de Relações do Trabalho, Marcos Perioto, destaca que a divulgação dos boletins tem como objetivo apresentar experiências concretas viabilizadas por meio do diálogo social, capazes de impulsionar avanços significativos na promoção da justiça social, da diversidade e da proteção ambiental no mundo do trabalho.

“Por meio das negociações, é possível avançar em temas como melhoria das condições de trabalho, redução das desigualdades, promoção do trabalho decente, inovação social, sustentabilidade e fortalecimento da participação dos trabalhadores”, salienta.

Os boletins resultam do termo de fomento firmado entre o Ministério do Trabalho e Emprego e o DIEESE. Para o técnico do DIEESE, Daniel Ribeiro, a negociação coletiva desempenha um papel estratégico na ampliação de direitos e garantias para os trabalhadores.

“Nesse sentido, torna-se essencial identificar e divulgar cláusulas que observem a legislação e estabeleçam garantias mais benéficas aos trabalhadores, contribuindo para relações laborais mais equitativas e para a valorização das condições de trabalho”, observa.

Boas práticas em negociações coletivas – Equidade Racial

O primeiro tema da série Boas Práticas em Negociação Coletiva é Equidade Racial, com destaque para cláusulas pactuadas que enfrentam a discriminação, asseguram igualdade salarial e promovem a diversidade nas contratações. As práticas identificadas demonstram o potencial do diálogo social para impulsionar a construção de um mercado de trabalho mais justo, inclusivo e representativo.

Acesse aqui o primeiro boletim da série, que reúne 20 exemplos concretos de cláusulas firmadas em 2023, reforçando o compromisso com a transformação social por meio da negociação coletiva.

Fonte: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2025/junho/mte-lanca-serie-de-boletins-com-boas-praticas-em-negociacao-coletiva

03.06.2025 - Empresas buscam funcionários para lidar com reforma tributária

(www.cnnbrasil.com.br)

Pesquisa mostra que 53% das companhias irão contratar ao menos três novos colaboradores para lidarem com as mudanças

João Nakamura, da CNN, em São Paulo

As empresas no Brasil estão buscando profissionais qualificados para lidar com as mudanças promovidas pela reforma tributária e, assim, adaptar o cotidiano da companhia ao novo sistema, segundo levantamento da Robert Half, consultoria global especializada em soluções de talentos, cedido com exclusividade à CNN.

O levantamento aponta que 53% das empresas devem contratar ao menos três novos colaboradores.

As empresas questionadas indicam que estão em busca de:
- Profissionais para backfill da equipe responsável (69%);
- Especialistas em tecnologia com o objetivo de suprir demandas de parametrização e implementação das soluções fiscais (44%);
- Mão de obra qualificada para auxiliar no diagnóstico e entendimento dos impactos da reforma (37%).

“No cenário atual, em que o Brasil apresenta as menores taxas de desemprego da história, tanto para a população em geral quanto para profissionais qualificados, a disputa por talentos tende a se intensificar", diz Vitor Silverio, diretor da Robert Half.

"Companhias que não se anteciparem correm o risco de enfrentar escassez de mão de obra e de sobrecarga nas equipes atuais".

O diretor da Robert Half ressalta que o período de transição, que inicia em 2026, é uma complexidade adicional neste processo, uma vez que ambos os modelos atual e o da reforma estarão em vigor.

Ele orienta que as empresas já devem entrar neste período preparadas, e não esperar a chegada da transição para buscar profissionais que compreendam do processo.

Entre as áreas mais demandadas nesse momento, a pesquisa aponta, em ordem:

1. Fiscal;
2. Contábil;
3. Tecnologia da Informação (TI);
4. Jurídico.

A Robert Half ainda destaca que 58% das contratações serão para vagas fixas, sendo as funções mais procuradas as de:
- Analista tributário;
- Analista contábil;
- Advogado(a) tributarista;
- Especialista em compliance tributário;
- Analista de sistemas ERP (foco em módulos fiscais);
- Gerente de tributos.

Já as vagas para projetos temporários, que representam 42% dos profissionais buscados, são:
- Consultor(a) de ERP - Fiscal/tributário;
- Especialista em parametrização de sistemas;
- Analista de negócios;
- Assistentes fiscais;
- Consultor(a) jurídico tributário;
- PMO (com conhecimento em tributação);
- Profissionais de TI com foco em integração e automatização tributária).

A Robert Half também observou as hard skills (habilidades técnicas) e soft skills (habilidades comportamentais) que são buscadas nos profissionais. São elas:
- Programação;
- Excel avançado;
- Key users de sistemas (SAP, Oracle, etc);
- Compliance tributário;
- Parametrização de sistemas ERP (SAP, Oracle, TOTVS, etc);
- Contabilidade fiscal e regulatória;
- Ferramentas de BI para análise de impactos fiscais;
- Capacidade analítica;
- Comunicação com stakeholders técnicos e não técnicos;
- Resiliência;
- Proatividade e espírito colaborativo;
- Agilidade;
- Adaptabilidade.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/empresas-buscam-funcionarios-para-lidar-com-reforma-tributaria/

04.06.2025 - Governo vai apresentar medidas fiscais depois de reunião com líderes no domingo, diz Haddad

(veja.abril.com.br)

Ministro da Fazenda disse está atendo pedido "singelo" dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e e Davi Alcolumbre

Por Camila Pati, Felipe Erlich

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que vai se reunir com líderes partidários para apresentar medidas de ajuste fiscal alternativas ao aumento do Imposto de Operações Financeiras (IOF)no próximo domingo, 8. Haddad disse que só haverá uma apresentação oficial das medidas depois da reunião. “Não é um mero anúncio que nos interessa”, disse durante coletiva de imprensa nesta terça-feira, 3, ao frisar a necessidade de um alinhamento prévio entre os poderes Executivo e Legislativo acerca das novas medidas fiscais. Sobre o teor das propostas a serem apresentadas, o ministro se limitou a dizer que as medidas fiscais são “justas” e “sustentáveis”.

A espera até depois de domingo para apresentar as propostas após a reunião com os líderes foi um pedido “singelo” dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AL). Segundo ele, tanto Motta quanto Alcolumbre estão bastante seguros que as medidas fiscais propostas são justas e sustentáveis, tanto do ponto de vista social quanto econômico. “Nós estamos todos registrando essa sintonia que há hoje entre a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e o governo federal”, disse Motta.

Já o presidente do Senado reforçou a necessidade da agenda de corte de gastos trazer ganhos no longo prazo, com mudanças substanciais na estrutura fiscal do país — diferentemente do que ocorreu com o aumento do IOF, uma medida de cunho arrecadatório e praticamente emergencial. “Nós não podemos discutir um decreto (do IOF) se não discutirmos uma agenda estruturante de país”, disse Alcolumbre. Para tanto, o parlamentar do Amapá afirmou que o Congresso está disposto a enfrentar “agendas sensíveis”.

Sobre o prolongamento do aumento do IOF, Haddad disse que precisa da aprovação de parte das medidas de ajuste para que seja possível rever o decreto que aumentou o IOF. “Tem a lei de responsabilidade fiscal, tem o arcabouço fiscal, tenho uma série de constrangimentos legais”, explicou o ministro.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/governo-vai-apresentar-medidas-depois-de-reuniao-com-lideres-partidarios-no-domingo/#google_vignette

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